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    Eu tive o privilégio de dançar e compartilhar um tempo com esta mulher excepcional que, na idade em que muita gente pensa em se aposentar, saiu para a rua para ensinar danças inspiradas por sua terra natal, A Letônia e os paises Bálticos vizinhos da Estônia e Lituânia. Ela estava convicta que a força desse folclore, conectado profundamente com “Mara” e as mães da natureza tinham muito a nos ensinar.

     A sabedoria de alguém que tinha passado por muito tumulto em sua vida, transparecia em cada uma de suas danças. Toda dança, todo movimento que ela coreografava era como um pedaço de sabedoria condensada. Ela tinha uma forma maravilhosa de tecer uma história em suas danças, citando mitos antigos, evocando às vezes elementos chaves de uma história de fadas ou conhecimento vital de plantas medicinais.

     Quando prestamos atenção aos ritmos da dança, percebemos os ritmos da natureza, das fases da lua, dos altos e baixos, do tempo da abundância e do tempo da escassez. Cada aspecto de nossas vidas podia ser visto e vivenciado enquanto dançávamos. Com sua habilidade posterior relacionada às danças dos Florais de Bach, ela nos levou a vivenciar e a transformar as emoções através do movimento. Incluiu de maneira especial muitos portais em suas danças (a fita Schlűsselblume) a fim de abrirmos portas e corações em nossas almas. Ela nos mostrou que nos elevando sobre as pontas dos pés sempre que estivéssemos passando por dificuldades poderíamos ver as coisas por cima das barreiras ou de outra perspectiva. Da mesma forma ao mudarmos  de lugar com alguém, poderíamos aprender a apreciar o seu ponto de vista. Todas estas metáforas  estavam tão embutidas nos movimentos que era divertido e prazeroso dançar. Havia também muita risada e brincadeira na sua maneira de trabalhar. Seu amor, seu desvelo e compaixão eram aparentes em tudo que fazia e dizia. Ela sempre viajava com uma velha, grande mala repleta de cachecóis, livros, artigos e fitas cassetes.Eu me lembro dela dizer que queria colocar cada cor do arco-íris no centro da roda  para que cada pessoa pudesse encontrar pelo menos uma cor que gostasse.  Ela sempre colhia flores simples locais, ou galhos das cercas vivas para abrir nossos olhos à beleza que lá se encontrava.

Anastasia tinha uma profunda apreensão que nós no Ocidente não roubássemos a cultura dos músicos letões. Ela nos pedia de sempre identificar de onde vieram as danças e que não copiássemos as músicas, pois deste modo ela queria assegurar que os músicos teriam uma recompensa financeira por todo seu trabalho.

     Meu coração está cheio de gratidão pelo que ela tão generosamente compartilhou conosco. A música que ela recolheu irá nos levar longe no caminho da dança, suas palavras e seus escritos ressoam pelo mundo afora e suas danças são uma fonte de alegria e inspiração  Quando você ensiná-las por favor identifique de onde elas vêm.

Algumas das danças favoritas na rede são  Olmo, Aspen, Crab Apple, Dente de Leão, Solidariedade (Chestnut Bud), Bétula, Marigold e Willow.

Anastasia Geng teve um derrame em fevereiro de 1997, ficou paralítica de um lado, com dificuldades da fala. Para ela era muito difícil ficar dependente dos outros e estava pronta para deixar a terra pois tinha vivido uma vida muita ativa e realizado sua razão de viver. Ela faleceu tranqüilamente no dia 8 de dezembro 2002 em Darmstadt, Alemanha.

Texto publicado na revista inglesa, Grapevine -  Primavera 2003.Tradução de Dorothy Pritchard.