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Angela Maria Fontes de Andrade, focalizadora de Danças Circulares no Rio de Janeiro, Dirigente de Danças Sênior e a melhor "cineasta" de Danças que eu conheço foi a Findhorn para o Festival de Danças Circulares de 2006. Ela foi com um grupo de 20 brasileiros liderados por Renata Ramos de São Paulo. Em estrevista a este site, Angela nos contou sobre a rica experiência nesta viagem.

DCRJ - O que você sentiu no primeiro momento, quando entrou na Comunidade de Findhorn?
Ângela - Desde 1990 que ouço sobre a  comunidade Findhorn.  Quando conheci o livro Abrindo Portas Interiores me encantei com o conteúdo e o projetei na comunidade. Ao descobrir as danças circulares, a vontade de ir virou uma meta. Chegar lá foi um sonho. Minha primeira surpresa foi ver as ruas asfaltadas. Ali era um antigo centro da força aérea na 2ª guerra e algumas construções são daquela época.

A segunda foi ver a grande variedade de flores. Que eu nunca vi antes, com matizes que vão do lilás ao amarelo. Muito lindo!


 


DCRJ - Como é o clima entre as pessoas?
Ângela - De muita solidariedade. Para eles, desenvolver a espiritualidade, é partilhar com o outro. É aceitar o outro como ele é e respeitá-lo.

 
DCRJ - Você identificou pessoas de que lugares do mundo?
Ângela - Austrália, Japão, Brasil, Argentina, Colômbia, Índia, Estados Unidos e vários paises da Europa.




DCRJ - Como foi dançar no Universal Hall?                                          Ângela - Ele é em forma de pentágono. Embaixo dele tem um santuário que capta a luz de uma clarabóia do teto do Universal. Você dança sob as estrelas. A energia que circula é muito forte. Dançar na roda de mãos dadas com pessoas que não falam seu idioma e ver que o todo é harmônico, nos dá uma sensação de paz e comunhão com o mundo.

 
DCRJ -  O que vc dançou lá que tb dançamos aqui?
Ângela - Várias músicas. Vários mestres já estiveram no Brasil e ensinaram suas danças. A que mais gostei foi Valles e Dhardes. A Mandy faz um balanço no corpo, subindo e descendo, muito interessante. Fiz um filminho na câmera digital e depois posso disponibilizá-lo.


DCRJ - Soube que vc conheceu Fido, um discípulo de Wosien, o que mais você contaria sobre ele?
Ângela - Um grande dançarino. Nos ensinou danças gregas. Fez uma polonaise com mais de 150 pessoas, sem ensaio, formando figuras variadas, culminando com uma estrela. Simplesmente fantástico.

Também mostrou uma grande humildade ao limpar o chão molhado do Universal Hall. Após uma homenagem a Anna Barton, a água das flores derramou e ele com sua agilidade e despreendimento, pegou um pano de chão e o limpou com o maior capricho. 


DCRJ -  Que workshops você fez por lá?
Ângela - Infelizmente não pude fazer todos. Eles eram simultâneos. Pelo menos 2 de danças, outro de canto e outro da banda. Optei pelas danças e fiz o do Fido, da Mandy, da Judy, do Andy, do Peter e da Suzane. O mais lindo foi o da Suzane, ao ar livre, no Shambala (centro budista da comunidade) num lindo dia de sol, a beira da Baia de Findhorn. Inesquecível! 


DCRJ - Você gostaria de fazer uma vivência conosco, trazendo sua experiência lá? Danças e histórias... sei que você é uma boa contadora de histórias.
Ângela - Com o maior prazer. Não sei se sou boa contadora de histórias e não entendi todas as estórias que ouvi lá. É preciso estar bem afiada no inglês para entender o sotaque escocês. Posso passar o que aprendi lá, com a maior boa vontade.


DCRJ - Qual a diferença ou semelhança entre dançar com o povo lá na Europa e com o povo aqui?
Ângela - Eles são mais sérios. E mais disciplinados. Esta é uma vantagem deles. As aulas fluem muito bem. Mas nosso “molejo” e facilidade de dançar impressionam. E nosso “barulho” e alegria despertam neles a vontade de ser igual.

 
DCRJ -  O que mais marcou nesta viagem?
Ângela - Descobrir o Deus que existe em mim. Qualquer lugar será bom se soubermos ouvir o silêncio dentro de nós. Também quebrei meu preconceito quanto as pessoas serem santificadas para fazerem obras maravilhosas. Qualquer um pode lhe ensinar uma lição. Você pode aprender com quem você não espera.

DCRJ - O que mais você gostaria de nos contar sobre sua experiência em Findhorn?
Ângela - Lá existem pelo menos 5 santuários para meditação e algumas espirais para se percorrer meditando. Muitas vezes não ouvimos nossa voz interior porque não nos permitimos parar para ouví-la. Estou me forçando a ter como rotina a meditação. Viver a vida mais devagar. Entender que não posso saber tudo nem experimentar tudo. Este é o meu desafio.